Você Sofre de Crise Existencial?
23/08/2021 23:35 em Comportamento

É normal que, pelo menos alguma vez na vida, você tenha passado por momentos de ansiedade e de estresse. Em muitos casos, são momentos passageiros, originando emoções de curto prazo, que pouco influenciam a vida atual.

Já em momentos mais longos e intensos, podemos passar por crises existenciais, em que tendemos a perder o sentido de algumas coisas e nos questionarmos demasiadamente sobre nosso lugar no mundo. Você sabe o que é crise existencial?

Continue conosco para entender um pouco mais.

O que é crise existencial?

International Journal of Psychology publicou um artigo em 2016, com base na revisão de uma série de estudos, que define a crise existencial como um conjunto de sentimentos de medo, ansiedade e culpa.

Ela difere-se de outras crises mentais por incluir conflitos internos e ter o quadro de ansiedade caracterizado pelo impacto negativo sobre a responsabilidade, propósito, autonomia e compromisso. Isso potencializa a angústia, que desencadeia ainda mais estresse.

Essa sensação de perda do sentido e o constante questionamento sobre a própria existência traz ao indivíduo uma enorme angústia, que pode até desencadear ansiedade e atrapalhar o convívio social.

O conceito de crise existencial foi primeiramente estudado em 1929, por Kazimierz Dabrowski e Irvin D. Yalom, que se apoiaram no conhecimento da Psicologia e Psiquiatria para dedicar cerca de uma década de estudo sobre o tema.

Ainda assim, o senso comum tirou um pouco do real significado da crise existencial, que passou a ser algo confuso de diagnosticar e lidar.

Quais são os sintomas da crise existencial?

Os principais sintomas da crise existencial são:

Estafa mental;

Pessimismo;

Ansiedade;

Insônia;

Vontade de se isolar;

Insatisfação generalizada.

A estafa mental faz com que o sujeito tenha a sensação de cansaço mental aparentemente eterno, potencializado pelo pensamento desorganizado diante uma quantidade imensa de dúvidas sobre si mesmo e sobre o mundo.

O cansaço mental é constante, pois o sujeito parece nunca estar satisfeito com as respostas que encontra ao longo do caminho. Do ponto de vista dele, seus problemas não têm soluções imediatas ou boas o suficiente.

A ansiedade, por consequência, aparece nesse cenário, visto que o sujeito passa a colecionar incertezas. Assim, ele sente que perdeu o controle da própria vida, intensificando ainda mais as suas preocupações.

Normalmente, os sujeitos que passam por uma crise existencial sentem a necessidade de se isolar, pelo menos por um período. Os pensamentos são agitados o bastante para direcionar o sujeito a um espaço tranquilo, para que ele possa ficar mais à vontade com a própria mente.

Essa pode ser, aparentemente, uma boa estratégia, mas acaba alimentando ainda mais a falta de sociabilização, pois exclui todas as possíveis distrações que possam suavizar esse período para o sujeito. Logo, o simples ato de interagir com as pessoas influencia diretamente na forma de encarar o mundo.

Como o sujeito passa o tempo inteiro se questionando em grande nível de detalhes, um dos sintomas resultantes passa a ser a insatisfação generalizada. Os questionamentos sobre a vida pessoal e profissional do sujeito não conseguem chegar a uma saída adequada, o que causa desânimo e acúmulo de energia negativa.

O que desencadeia uma Crise Existencial?

É complicado nomear as causas que originam a crise existencial, uma vez que irão depender do contexto em que cada sujeito está inserido.

De maneira geral, os grandes causadores da crise existencial são os desafios e as tensões alimentadas de forma intensa, seja por trauma ou qualquer tipo de evento que carregue um significado profundo para aquele sujeito.

A partir de acontecido esse evento, o sujeito passará a se questionar sobre a procedência de uma série de fatores. Dessa forma, passa por uma crise existencial.

pandemia do Coronavírus, por exemplo, pode ter sido — e ainda ser — grande causadora de crises existenciais em sujeitos ao redor de todo o mundo, uma vez que obrigou os sujeitos a passarem mais tempo consigo mesmos do que estavam acostumados.

A ideia de isolamento social forçado, bem como grande contágio de uma doença extremamente perigosa, provocou incertezas na vida de boa parte da população mundial, que se viu diante o dever de se reinventar para sobreviver.

Além disso, algumas outras causas podem ser:

Culpa por algo: o sujeito pode ter tido uma participação mais ativa em algum episódio que considera impactante a ponto de carregar uma culpa eterna;

Luto: lidar com a morte de um ente querido não é fácil e pode, além de causar profundo sofrimento, provocar reflexões sobre a vida dos que ainda vivem;

Sentimento de insatisfação social: a frustração na carreira, por exemplo, pode causar uma crise existencial, pois o sujeito não se reconhece no trabalho e, assim, não consegue se satisfazer, potencializando incertezas sobre o presente e o futuro;

Insatisfação consigo mesmo: o sujeito também não se enxerga como alguém realizado, criando uma grande insatisfação consigo;

Repressão de emoções: o sujeito pode ter passado a vida toda reprimindo sentimentos, não aprendendo a compartilhar com os outros ou tentar se entender através desse compartilhamento.

Fonte: IPTC

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